segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Post sem nome.


estou torta, a escrever numa posição fugaz e vazia, como me sinto, o meu corpo descreve exactamente o modo como me sinto, aliás sempre foi assim, desde há muito tempo que ele se habitua aos meus zigue zagues comportamentais sem pestanejar. E eu aprecio isso nele, mais do que qualquer outra coisa, aquela fidelidade e companheirismo desmedido e transfronteiriço torna-me um bocadinho mais bela, aos meus olhos.
Levanto-me e ele ainda dorme, ali, impenetrável, em sonhos, ou pesadelos, memorizo a cara dele só mais uma vez e levo-a comigo no pensamento enquanto procuro as chaves do carro antes de sair de casa. Já no carro retoco a maquilhagem e descubro mais mil e uma caras que nada me dizem, distantes, ocas, vazias, sem história. É só a dele que eu retenho, sempre foi assim, há videoclipes que podiam expressar a música que toca aqui dentro, mas a cara dele é a sonoridade perfeita, sem proficiências menores.

Os olhares marcam mas não comovem, os rostos, estáticos e mórbidos vão cativando até querermos, até a luz invadir o corpo decomposto e sem esperança, e é nessa luz que permanecemos, porque julgamos ser, no melhor dos casos, aquela que nunca se apagará.

E os rostos, carregam em si mil e um desígnios que só eu sei, e mais uma quantas pessoas. E será este o nosso segredo até assim nós desejarmos. E por vezes lembramo-nos de nos lembrarmo-nos de nós, só para que a saudade não fique esquecida.

E amanhã já nada nos prende.

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