quinta-feira, 27 de setembro de 2012

No espelho de São Paulo

O espelho. Dos objectos, esse era o que escolhia, um espelho. Esteticamente ele é fútil em si mesmo, simbolicamente ele marca sempre dois lados da mesma pessoa, o teu e a tua transposição no objecto. O frio, hoje, gela-me. Estou nos trópicos, a calma que me aquece é a mesma que o meu coração sente. Há nesta cidade um vício inconcebível ao caos. Sou o caos das coisas doces. São Paulo, este nome, a vibração de cada letra cria em mim uma dependência que me destrói, São Paulo, quero-te eternamente meu, vejo-te assim, como um livro cujos capítulos não se escondem mas também não se mostram. Enigmático. Não sei fugir de ti, porque como no amor, a tendência é cuidares do que te faz bem. Sei de ti como uma pessoa, desequilibrada, a inconstância, por vezes, sempre foi para mim o melhor antídoto para as inercias do Mundo. Gosto de ti, São Paulo. Tens a vida da cidade que não tens estrelas no céu mas que irradia a beleza no rosto de quem a percorre, o açucar que me faz sorrir em cada dia que renasce. Não foi difícil render-me a ti, sei dos teus defeitos e das tuas potencialidades, irritas-me quando sei que o relógio urge e quando não tás nem ai para o peso do tempo. Queria-te ágil, organizado, limpo, airoso. Mas isso, São Paulo, não foi o propósito para o qual foste criado, criaram-te para a grandeza dos negócios feitos de sorrisos e diferenças, para o frenesim que o Mundo assiste. E eu, nasço, juntamente contigo para esta novidade que é ser feliz a teu lado. És na primeira pessoa,porque é assim que trato quem está perto de mim.