segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Estive

Estou a 10 minutos de lhe dizer que aquilo foi a vida dos meus dias e dos meus anos mais alucinantes.Nunca vivi senão os dias, pensava pouco neles, sabia das horas, dos minutos, mas não sabia a ganância do consumo de cada minuto como se fosse o último. Ele ensinou-me e eu aprendi. Estou a 7 minutos de lhe dizer que não apanhe aquele barco. Que se demore, que esqueça as viagens, que esqueça os compromissos. Ensinou-me a não ser egoísta e eu aprendi. Estou a 6 minutos de eu já não querer atravessar o Atlântico, convencia-me que essa coisa de levantar vôo e sair do lugar é pouco amiga dos corações. Ensinou-me a amar o tempo presente e eu aprendi. Estou a 2 minutos de o ver partir. E partiu, e eu vi e, por incrível, aprendi. Devo aos minutos que me dei, o regresso e a vida das aprendizagens, do amor. Estamos mais perto do céu sempre que amamos. Passaram-se dias e eu voltei. Ele voltou. Não regresso, no último minuto eu troquei de voltas. Há voltas invioláveis. Há minutos que morarão na lápide dos nossos anos e nas histórias que contamos aos outros. Há pessoas, há nomes, há cidades. Haverão quartos de hotel que contarão, em silêncio, tudo o que ficou ali, no cheiro, na presença, na ausência, no corpo.