Dos cancros emocionais que vão preenchendo uma vida, vou riscando alguns da lista de espera das operações, há aqueles que nem tão pouco merecem o direito a uma espera ainda que o fim seja o próprio fim. A vida é um exercício de liberdade, por forma a ser entendido segundo esse prisma, não podem ter sido em conta seres que nos consomem como de uma doença se tratasse. Gosto de diagnosticá-los com a perícia acumulada dos anos, faz parte dos outros desvendá-los sem eles se aperceberem do julgamento pobre e fútil dos meus olhos. Mas eu sou pior, quando os devoro com a minha altivez de quem não permite sequer uma aproximação com vista à cura. Fechei a farmácia para possíveis sequelas e toda a réstia de salvação sentimental. As doenças, tal como as pessoas, ou vencem-nos ou vencêmo-las. E mais uma vez a escolha é inteiramente minha.
Limpar o coração é das tarefas mais descartáveis a que o coração se permite e eu vou deixando à espera que me deixem.