
A conversa fui, vou acompanhando sem pensar muito nas coisas que estão a ser ditas. A minha memória de animal racional permite-me a estas coisas, apago o meu cérebro momentaneamente sem qualquer hesitação. Ninguém percebe. E a conversa continua desmesuradamente, oiço alguém a dizer " os homens são sempre a mesma coisa". O meu cérebro activa-se e ganha corpo, está cada vez mais difícil ainda assim acompanhar o que está a ser dito. Eis que ele entra, escondo-me, socialmente hoje não é um dia feliz para mim. Cabelo medonho, roupa comummente designada como"a primeira coisa que me apareceu à frente", maquilhagem inexistente, perfume resumido a um Light & Blue da D&G erradamente escolhido para um tempo Invernoso. E continuo no meu esconderijo que não é mais do que uma revista em frente ao meu rosto que finjo estar a ler. Ele ainda não saiu, o meu coração começa a acelerar o fluxo cardíaco e só vou pensando para mim mesma "Vá lá hoje não, não me apetece mesmo nada". Ele finalmente saiu, respiro, a revista cai, a pose recompõe-se, volto a vislumbrar as duas velhotas que estavam sentadas à minha frente.
Hoje, como em todos os outros dias, foi só mais um dia em que o meu cérebro não accionou a conversa animalesca e básica do costume. Hoje quis tirar férias a tempo inderteminado e ainda bem que ele compreendeu.
Sem comentários:
Enviar um comentário